RAS MOHAMMAD:

Shark Reef e Yolande são os dois melhores points do lendário Parque Nacional Marinho de Rãs Mohammad, bem na ponta da Península do Sinai. Na "laguna" que se forma entre os dois recifes encontram-se os peixes de sempre, mas em cardumes como você provavelmente nunca viu. No auge do verão (julho e agosto), quando as correntes estão particularmente fortes, mergulhadores de boa resistência nas pernas podem se aventurar em direção ao azul. Logo que o recife desaparece atrás do grupo, uma mancha enorme começa a tomar forma adiante. Costuma ser um cardume de barracudas, mas também pode se revelar um gigantesco amontoado de pargos ou xaréus. Vale a pena madrugar para chegar antes das outras embarcações. Como o próprio nome de um dos recifes indica, tubarões são vistos com freqüência no local. Mas eles buscam águas bem mais profundas assim que percebem o aumento do trânsito de barcos. Importante: jamais subestime as correntes e siga à risca as instruções do guia. Nunca houve um acidente fatal, mas não são raros os registros de mergulhadores perdidos à deriva por algumas horas. A profundidade média é de 20m, chegando até 50m a profundidade do local, com visibilidade média de 20m. [

JACKSON REEF:

Todos os dias do ano, às 10h00 da manhã, dezenas de barcos carregados de mergulhadores se aproximam de Jackson Reef, o melhor dos três recifes (Thomas, Woodhouse e Jackson) localizados no estreito de Tiran. Portanto, mais uma vez vale a dica: escolha uma operadora que se antecipe às demais ou que, no mínimo, seja rigorosamente pontual em suas saídas. Como acontece em Rãs Mohammad, explorar Jackson Reef sem outros grupos por perto pode ser a experiência da sua vida. Os paredões desse recife são os mais espetaculares de toda a região do Sinai. Constantemente abastecido com os nutrientes trazidos pela corrente, ele é densamente povoado por corais moles e calcários. Gorgônias gigantes também são abundantes e a variedade de peixes impressiona até os mergulhadores mais acostumados com a exuberância típica do Mar Vermelho. Graças à corrente, extremamente forte em certos dias, a presença de pelágicos é comum. Grandes cardumes de barracudas e xaréus são vistos com freqüência, além de duas ou três espécies de tubarões. Tubarões-martelos são uma raridade, mas também podem ser vistos nos setores mais profundos do recife. A profundidade média é de 20m, chegando até 40m a profundidade do local, com visibilidade média de 20m.

DAHAB CANYON:

Imagine um canyon começando aos 15m, em um buraco do tamanho de um homem bem no meio do recife, e seguindo até os 54m de profundidade, onde finalmente se abre para o mar aberto. Corais em profusão, grandes cardumes de peixes-vidros, garoupas, moréias, unicórnios... Durante todo o mergulho são avistados a coluna d'água, azul e livre de obstáculos, logo acima da garganta submersa. Mas o recife praticamente se fecha sobre os mergulhadores. Não há espaço entre as duas "paredes" que possa ser usado como escape. A primeira saída só é alcançada aos 30m de profundidade. Assim é o mergulho em Dahab Canyon, na Península do Sinai, poucos quilômetros ao norte do povoado que lhe empresta o nome. Vale lembrar: só devem considerar a hipótese de chegar ao fim do canyon mergulhadores com muita experiência em águas profundas. E mesmo os mergulhadores mais experientes são desaconselhados a chegar aos 54m de profundidade. A região de Dahab é recordista em acidentes fatais. A profundidade média é de 20m, chegando até 54m com visibilidade média de 20m.

STINGRAY STATION:

No Mar Vermelho, nem sempre um ponto de mergulho faz justiça ao seu nome. Por exemplo: Shark's Bay, nas proximidades de Naama Bay, é o último lugar do mundo a ser visitado se a sua intenção é mergulhar com tubarões. O mesmo vale para o point chamado Shark Observatory, em Rãs Mohammad. Jackfish Alley, também em Rãs Mohammad, é outro desses casos. Naquele recife você verá em abundância todo tipo de peixe, menos os cardumes de xaréus e outros pelágicos que lhe deram o nome. Stingray Station, porém, é exatamente o que seu nome sugere: uma verdadeira estação de arraias. Em nenhum outro lugar você encontrará tamanha concentração desses animais. Durante o dia, no entanto, o mergulho pode decepcionar pela visibilidade, muito aquém daquilo que se espera do Mar Vermelho. O melhor de Stingray Station está no mergulho noturno, quando só se enxerga aquilo que o faixo de luz da sua lanterna alcança. Cinco ou seis espécies de arraias são vistas com muita facilidade, inclusive arraias-elétricas. Sem falar dos outros animais típicos da noite, como moréias, lagostas e as belíssimas dançarinas espanholas. A profundidade média é de 18m, chegando até 30m a profundidade do local, com visibilidade média de 20m.

THISTLEGORM:

Este naufrágio da 2ª Guerra Mundial não se tornou um dos mais visitados do mundo por mero acaso. Levemente adernado, entre 17 e 33m de profundidade, o HMS Thistlegorm tem nada menos que 126m de comprimento e afundou no Golfo de Suez levando dezenas de veículos militares, entre tanques, caminhões e motocicletas. Há muita luz e pouquíssimas restrições no interior da embarcação. A fauna residente é exuberante. Dentro do Thistlegorm, cardumes gigantes de peixes-vidros lembram nuvens de purpurina0 quando a luz de alguma lanterna os ilumina. Do lado de fora, corais multicoloridos decoram os destroços e cardumes de xaréus são freqüentemente vistos pelos mergulhadores. Muitas caixas de munição permanecem submersas, principalmente no nível superior do naufrágio e no terceiro porão. Há capas de chuva e botas de borracha em vários pontos. Os primeiros turistas e explorar o Thistlegorm em operações comerciais, no início da década de 90, voltaram à superfície trazendo dúzias de relíquias, como rifles, estetoscópios, seringas e ampolas de morfina. Foram todos parar na cadeia, onde tiveram tempo de sobra para entender que as autoridades egípicias levam a sério a preservação de seu patrimônio histórico subaquático. A profundidade média é de 24m, chegando até 33m a profundidade do local, com visibilidade média de 20m

CARLESS REEF:

Distante da costa e isolado, Carless é um recife mundialmente famoso pela surpreendente população de moréias. Ele é formado basicamente por dois grandes pináculos que tocam a superfície em mar aberto. A profundidade no vale entre os dois não passa dos 16m, um programa perfeito para os que não estiverem interessados em mergulhos profundos. As paredes externas do recife, porém, descem a 40m ou mais e oferecem uma variedade de pequenas cavernas e reentrâncias aos mergulhadores experientes. A posição isolada de Carless e as águas profundas que o cercam fazem do recife um ótimo point para a observação de tubarões. Cardumes de xaréus, atuns e barracudas também são vistos com freqüência. Mas as grandes atrações são mesmo as moréias. Como os guias de mergulho da região trataram de "domesticá-las" ao longo dos últimos anos, muitas delas nadam livremente mesmo durante o dia, sem se importar com a presença de mergulhadores. A profundidade média é de 20m, chegando até 40m a profundidade do local, com visibilidade média de 20m.

ABU KAFAN:

Em árabe, o termo Abu Kafan quer dizer "o profundo". A face leste do recife parece um desfiladeiro. Florestas de corais negros (que, na verdade, revelam-se vermelhos como sangue sob o faixo de luz de uma lanterna!) e gorgônias gigantes cobrem a parede vertical como em poucos lugares do Mar Vermelho. Peixes pequenos, de todas as cores e formas, encontram abrigo entre elas. No platô mais ao norte do recife, onde correntes fortes são comuns, os cardumes de barracudas impressionam pelo tamanho. Tubarões também costumam freqüentar esse local, inclusive martelos. Portanto, mantenha sempre um olho no recife e o outro no azul. A profundidade média é de 20m, chegando até 40m a profundidade do local, com visibilidade média de 20m.

ELPHINSTONE REEF:

Elphinstone é um longo recife com a forma de um dedo. Os paredões das faces leste e oeste descem a mais de 70m de profundidade, enquanto as extremidades norte e sul são caracterizadas pela formação de platôs. O platô norte é raso e oferece algumas extraordinárias possibilidades de mergulho livre. Já o platô sul é bem mais profundo: o mergulho só começa na faixa dos 30m. Um enorme arco natural pode ser visto nessa parte do recife, entre 50 e 70m de profundidade. Para a maioria dos mergulhadores recreacionais, ele está fora de alcance. Mas, para aqueles com treinamento em águas profundas, o mergulho é altamente recomendável. Diz a lenda que o sarcófago de um faraó desconhecido repousa logo abaixo do arco. De fato, é possível reconhecer o desenho de uma suspeitíssima estrutura retangular, como se fosse uma grande caixa, camuflada entre os corais a cerca de 60m de profundidade. A profundidade média é de 20m, chegando até 70m a profundidade do local, com visibilidade média de 20m.

BROTHERS ISLANDS:

Big Brother e Little Brother, duas pequenas ilhas situadas em águas abertas, entre as cidades de Port Safaga e El Quseir, reúnem os únicos recifes de coral da região. Em outras palavras: elas funcionam como verdadeiros ímãs, atraindo uma quantidade inimaginável de pelágicos e peixes recifais. A vida marinha encontrada nas duas irmãs é muito mais que impressionante. Nos setores mais rasos, perto dos recifes, cardumes de unicórnios, pargos e cirurgiões costumam ser tão grandes que às vezes fica difícil saber onde eles começam e onde terminam. No azul, o espetáculo é proporcionado por tubarões de pelo menos 10 espécies diferentes, entre eles martelos e tigres. Até tubarões-baleias são vistos nas ilhas com relativa freqüência. Algo bastante incomum em outras partes do Mar Vermelho. A fama de Brothers Islands como um dos melhores points do mundo cresceu tanto entre mergulhadores europeus nos últimos anos que hoje há vários live-aboards especializados nas ilhas, onde eles passam ao menos uma semana inteira antes de seguir para outros destinos ou retornar ao continente. Só há um problema com os mergulhos em seus recifes: depois deles, será quase impossível encontrar lugar mais fascinante. A profundidade média é de 25m, chegando até 70m a profundidade do local, com visibilidade média de 20m.